Me apaixonei por um Macunaíma. (O que não é difícil nesse Brasil.) Afastei-o por sua falta de caráter. Esqueci que ele era cheio de caracter-ísticas como todos somos, pois somos seres sociais (coabitando em nós a individualidade de cada vivência social). Não percebi que presentificava-se nele a transparência da miscelânea que o compunha. Pois bem.... ao nega-lo neguei a mim mesma, me encobri com um pano preto que não ilumina e nem reflete. Neguei o fato de que sou parte de um todo que me constrói e construo. Então neguei o meu imaginário, mas, como é impossível, não me desfiz dele. Agora observo meu reflexo, a falta de caráter. E vejo o problema de buscar um caráter (ou uma verdade) quando o meu ser sensível, que eu não controlo, informa ao meu ser pensante, que é independente apesar de sua dependência, que sou pluricultural. E ser pluricultural não é ser tudo não sendo nada, mas ser todo mesmo que ainda não me legitimem. Da bruta flor
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Vamos viajar por esse rio São Francisco. Rio que é gente – Velho Xico. Ele é ancestral. Ele nina e apóia em seus berços ‘Oxum’, ‘Mãe d’água’, ‘Nego d’água’, ‘Os Incantados’ de todas as raças. As águas ninam e alimentam o povo. Carrega a esperança do peixe. Ele não tem dono, ele é dele próprio e assim de todos. Seu Francisco é franco e as vezes bravo. Carrega o povo para os ‘retiros’ e depois os recebe de volta. Ele demonstra seu cansaço. Desgaste que vai se aumentando. Ser pai cansa e além dos filhos que geram outros, novas famílias querem sua proteção. Novas gerações. Pra quem irá os reclames de um pai cansado? Para as mães cansadas? Quem é o apoio desse pai que já trabalhou tanto por seus filhos seculares? Filhos estes que não são 'incantados' mas capazes de milagres diários. ...... Érica Neves
flor de ser-tão
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da minha bruta flor do meu interior fechado da cápsula que precede a delicadeza das pétalas eu preciso de mais água... não se engane com a cor vermelha eu não preciso da ignorância só por ser bruta me liberem da ignorância, mas não me tirem a alma eu não sou bruta na sua linguagem o 'bruta' construíram em mim pela caminhada mas não me escondo dentro da capsula e dos espinhos através deles apenas defendo da Echinopsis oxygona do interior fechado da cápsula que precede a delicadeza das pétalas Érica Neves (foto retirada da net)
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Eu quero mais tempo. Eu quero muito mais tempo do que o tempo pode me ofertar. Não preciso do tempo vago Eu necessito do tempo preenchido. Eu preciso despir a alma como se ela pudesse 'sobrevoar' o tempo Um tempo em que apenas o pensamento completaria a existência do momento E mundo poderia girar E o tempo poderia acontecer Pois assim, eu poderia viver a intensidade do tempo com o tempo. Érica Neves
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O vento... Nos arrebata Com o sabor de um toque Não pede licença Apenas invade... Não é preciso ver Nem se manifestar O invisível nos toca Nos remete a um estado sem definição Como dragão¹, ele não tem rumo e nem limite O vento simplesmente chega Devora E apavora a estabilidade da alma que não pretendia voar. Érica Neves ¹Ler Caio F. Abreu